Tão alto quanto ensurdecedor a imagem é um quadro de raras excepções em que as cores se esticaram e inevitavelmente se misturam em crentes e relampejantes emoções... frio, inacessível e obtuso é o seu criador, de crentes mas não tão cientes de tudo o que sentes, como um vector de ti mesma, consensual na sua sensualidade sentida sobriamente. Segues a sua silhueta e desassossegas–te naquela tela ou quadro ou qualquer coisa que te captou. E fere, como arde a tua ferida que palpita na consciência irracional que se perpetua no teu imaginário. És, então, uma criação artificial e imperfeita duma peça inacabada... a tua vida, tão superficial como a tua alma, és enfim, mutatis mutandis, nada mais do que aquilo que te fazem ser. E amas essa tua inequalidade pessoal, ao te diluíres tão liquidamente na linha de montagem do mundo. Vês o teu reflexo nos seus olhos ferrados no betão deconstruído das nuvens. A trissomia de uma libido metalizada aparentemente sem razão epistemológica, apenas com fungos orgânicos de fluidos já virgens na coisa nenhuma que é. Semeias a sistematização dos que te rodeiam alheados na tua radiância proeminente, fossilizas as lágrimas que te consumiram e pregas rasteiras às inequidades implícitas nas chamas do teu renascimento. O tempo corrói-te por dentro da tua casca roída pelas intempéries que os teus ouvidos já testemunharam e tanto temem, lavas o passado com novas tintas na esperança de poderes um dia não borrar a tua existência errónea e incapaz, presa a ícones que ninguém respeita, mas aos quais te queres refastelar gravemente como golfinhos que passaram décadas procurando rios no deserto. A tua singelidade tatuada no desperdício tóxico que imaginas ser. Tão longe de um palácio alado que arranha a tua visão e te perguntas se existe. A dualidade entre ambicionar e não existir e querer ser para ele só para te pintares naquela tela fértil em clonagens. Desfazes–te em algarismos deficientemente aleatórios que alguém mais tarde terá paciência de juntar e saber assim quem és e o que procuras no palácio que tanto anseias encontrar e desmoronar, construir para demolir, sendo o trapézio para abismos infindáveis que nascem nos quarks desnudados que te (de)compõem. Mas a tua voz desenhou uma utopia ciprestiana na qual te afogaste e agora choras por arrotear a qualquer sirene que não te esqueça. Mas só o teu palácio perdura e tudo o resto é silêncio...
5 comentários:
Não chega de procurarem o brilhantismo? Das melhores metáforas que li de qualquer um de voces, ou vendo vosses como um, o melhor de ti. A ideia inerente chega a levar a uma comoção quase emocional. Não me atrevo a xorar, não quero a ferrujem perto de mim. keep on
epá assim um gajo tem de escrever mto melhor para acompanhar a vossa qualidade de escrita,tipo nao gosto de vocês....."Tão longe de um palácio alado que arranha a tua visão e te perguntas se existe." need to say more?!continuem k vao mto bem.orgulho-me de voces benjamins lool.Excelente a aparente subjectividade tb tem uma palavra a dizer.
para não pertubar a harmonia da composição...
... Silêncio.
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