segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Crases De Medula Espalhadas Pelo Chão

Estou perfeitamente automatizado, a nulidade da minha reacção comprova-o. Acordas-me as falhas para que no vazio do silêncio entre palavras sem sentido, completamente randomizadas, possas afirmar que estamos mortos e que aquilo que sentimos é a perfeição do nada. Estendo-me a estátuas de gelo que derretem com o calor que vou perdendo, a cada passo mais uma se esventra em obscenos gestos de desprezo. Claro que podemos falar (e depois adormecemos mais um dia ao som do abismo que criamos) e esta é a última vez que vou acordar. Sentimo-nos condenados a abraçar o arame farpado de cada cumprimento e procrastinamos, mais uma vez, o julgamento violento que pode ferir gravemente qualquer um de nós. Fomos, numa paisagem perfeita, moinhos embebedados pela luz que o sol fazia reflectir no verde tapete estendido sob as nossas velas agora inundadas pelo betão que teima em sufocar o ar nas cinzas daquilo que fomos. E quem julgou que se podia fumar o céu sem que ele jaculasse cinzas (um tanto) chuvosas (ou quanto) enxugadas, estava são, logo insano. Ninguém percebeu a insípidez que um invócrulo pode causar e agora autopsiam-se para dissertar sobre o rádon que se tornaram ao permitirem que aquele meio-envoltório se expandisse para colónias bem longe dos seus braços anoréxicos. Eu aqui sou réu crónico de nenhuma acusação mas da qual me considero inteiramente culpado e permitir-me-ias expelir uma desculpa ou um acto síndromoso semelhante, mas estou cansado de toda esta cumplicidade. Apagemos esta simbiose quase membranosa, um coração não pode bater em dois ritmos dissemelhantes. Perdoa-me por amares o vácuo e poderei construir novas árvores.

4 comentários:

O Mega disse...

Não descreveria melhor esse amor compulsivo... Acho que o vosso jogo metáforico combina bem com atmosfera que me parece estar criada aqui, mas seria engrado dissociarem-se um pouco daquilo que normalmente escrevem para criarem um sujeito poético unico para este blog, pq têm q admitir que merece... de qualquer das formas parabés, fizeram-me sentir burro.

Pires disse...

Um texto metaforico onde talvez a ,maior metáfora é o amor.esse sentimento k é diferenciado da obcessão por uma ténue linha.ctn a adorar a ideia do dois em um,grandes textos cm se um mistico nevoeiro sentimental servisse apenas e tao bem para a melhor compreensao de tao belas linhas.mto bom.Chuak

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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