As horas passam como rios, e a água aparenta ser sempre a mesma. Se sei que o rio corre, porque me pergunto se as horas estarão estáticas? Dividi a melancolia em nanómetros, analisei cada partícula subatómica. Cada angström de dor iónica mostrava-se inerte, estagnado, comatoso. Abandonei o laboratório. Vim ver o rio de tédio que escorre nas minhas veias.
Os pensamentos deveriam ser inócuos, mas são tudo menos isso. Não tenho quaisquer pretensões de governar o caos ou tudo o que o rodeia. O universo talvez. Mas celestialmente a minha mente não tem objectivos, as minhas veias transportam nada e a inércia do tempo desgasta todos os meus poros. Serei o novo dono de uma vida irrisória e opaca? Progrido congruentemente para o infinito de mim ou apenas ando em círculos até encontrar o meu outro lado. O fundo do rio virado ao contrário é a minha superfície. A minha flora. A luz que me grita e acorda para isto.
Isto, o nobiliárquico arquétipo de um eu, um lastro de dias melhores, mais brilhantes, mais meus. No seu exterior. Porque dentro, é apenas um miasma pestilento e aluído. O meu calculismo lânguido e ímpio transuda aulidos pelo ar que compassadamente me extinguem a vida dos tímpanos. Ensurdeço. Despeço-me da audição da corrente do rio e compreendo que sempre fomos irmãos de sangue. Rastejamos com insectos em busca de um oceano maior e apercebemo-nos que não temos fim, estamos sempre no limbo entre o bem e o mal. Insípido sacrilégio, eu perco-me na surdez, meu lacre austero, mera beleza.
Na surdez da noite o companheirismo do silêncio faz com que eu descarte todo o tipo de civilização. A máquina. O Homem. Mortos. Um suicídio convalescente e ruidoso, o desmoronar de séculos de pesquisa. Nunca saberei quem sou. Doravante terei apenas a noite, a imagem do leito do rio a refrescar a dor asseverada em mim. O veludo imenso do céu para me proteger e a língua do vento para me recordar aquilo que cheguei a ser. Coração azul e frio, a ti manifesto o meu pesar. Grilhões pulverizados de arrependimento para sempre me prenderão. As minhas felicitações a quem foi. Eu nunca fui.
sexta-feira, 28 de julho de 2006
No Silêncio, na Ausência e no Abstracto
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5 comentários:
É bom olhar pr este blog e ve k apesar de pcos posts a qualidade é sempre a akela reconhecida ao mm, gostei particularmente deste texto talvez pk seja dos mais doom k eu ja aki encontrei,tentamos ter sempre algum papel nakilo k fazemos,mais do k isso tentamos determinar o nosso lugar em situções de lugar comum.parabens pelo post e k venham mto mais,sorry pela ausencia tava a descobrir o meu lugar na noite.bjs loool
PAH FODASSE CARALHO CHÉ QUESTA MIERDA STÁ BRUTALLI! (desculpa lá o plágio... adaptado pra pseudo-italiano de esquina...)
olha... excelente.
'o rio de tédio que escorre nas minhas veias'... 'celestialmente a minha mente não tem objectivos', 'progrido congruentemente para o infinito de mim ou apenas ando em círculos atém encontrar o meu outro lado' (sim.. se calhar acabo por concordar naquela cena da estrada da vida... talvez seja mais um planeta redondo... o destino é viajar e xegarmos ao inicio encontrando o ponto de partida...o nosso outro lado, o primeiro, aquele que tem valor no final de contas....)
realmente, acho que estamos mesmo sempre no limbo entre o bem e o mal, o que determina tudo é o movimento de ancas! lol
nunca saberás quem és... (nunca digas/digam nunca... determinismos deixam-se para Bohr's...)
nota: ver - angström
miasma
aulidos
transudar
(dass...! intelectuais! xP)
Bem, passei por aki só pra parabenizar os autores pelo trabalho no blog... Vcs realmente sabem da coisa! lol
E como diz a vae:
"(dass...! intelectuais! xP)"
Agr tenho d ir ao dicionário, com licença!
***
Keep up the good work. thnx!
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